sábado, 30 de março de 2019

A morte de alguém que amamos, quando se busca viver uma existência conforme filosofamos, pensamos, aprendemos e crescemos, é sem duvida uma prova real do que pensamos, cremos, é uma experiência de um tipo muito especial, particular, pois que põe a prova o que pensamos, pois que nos expõe desnudos frente ao amor que sentimos e a necessidade de perder fisicamente este alguém, sem perder mentalmente este mesmo alguém, põe a prova o que defendemos e pensamos acerca deste assunto, a morte, a eternidade do nada. E não menos doloroso ou curioso, é que a própria realização deste fato, passa a ser um objeto de nosso próprio estudo. A morte abordada como a morte do outro, só que este outro, alguém que amamos, passa ao mesmo tempo a ser a morte em segunda pessoa, tu morres, e não a morte em primeira pessoa, eu morro, nem tão pouco a morte em terceira pessoa, ele morre. A morte em primeira pessoa é algo apenas teórico. Em vivo, mesmo muito doente, próximo a morte mental, não é a morte, e no exato momento que morremos, não mais existimos para conhecer, para saber o que é a morte.
"A morte abordada como a morte do outro torna-se então "A" morte, o exemplo que temos dela." Meditar sobre a morte, é sempre meditar sobre a morte dos outros, a única experiência que temos da morte, a nossa morte é algo que será eternamente teórico. O teórico conforto estoico de acreditar em algo depois não pode superar a realidade de que morreu alguém que amamos. A morte é inevitável, não adianta ficar chocado em demasia com ela, não adianta rejeitá-la. Ela virá, ela sempre vem, ela sempre veio, até os homens deuses morreram, tiveram que matá-los, pois que nem os ditos deuses tem poder contra ela, a morte é um fato inquestionável.
"Podemos até saber o que diz Epicuro a respeito da morte - que ela nada é, uma vez que, quando eu sou, ela não é, e quando ela é eu já nada mais sou - mas descobrimos que até Epicuro, mesmo falando dela, em primeira pessoa, não consegue dizer o que ela é, porque não sabe, ninguém sabe o que realmente ela é."

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